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O Que Eu Fiz Para Ganhar Medalha de Ouro na OBMEP

O Que Eu Fiz Para Ganhar Medalha de Ouro na OBMEP

Eu não ganhei medalha de ouro na OBMEP de primeira. Na verdade, na minha primeira tentativa eu entrei na prova achando que não ia conseguir nada — e saí com um bronze, quase na última colocação dos premiados. Foram necessários três anos, uma mudança completa de mentalidade e um método de estudo que ninguém me ensinou na escola para chegar ao ouro.

Neste artigo eu conto exatamente o que mudou entre o bronze, a prata e o ouro. Não é um artigo sobre truques de prova — é sobre as quatro chaves que destravaram minha evolução e que podem destravar a sua também.


O Que é a OBMEP e o Que Significa a Medalha de Ouro

A OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) é a maior olimpíada científica do Brasil, organizada pelo IMPA. Em 2025, mais de 18 milhões de alunos participaram. Desses, apenas 650 ganharam ouro nacional.

A medalha de ouro não é só um reconhecimento acadêmico. Ela garante acesso ao PIC (Programa de Iniciação Científica), bolsa de R$ 300 mensais do CNPq, e abre portas para vagas olímpicas em universidades como UNICAMP e USP. Para um menino do Rio Grande do Norte, como eu, essa medalha representava a chance de entrar num universo que a escola simplesmente não alcançava.

Se você ainda está decidindo se vale a pena, leia Vale a Pena Fazer OBMEP em 2026? — lá eu detalho cada benefício.


Minha Trajetória: Bronze, Prata e Ouro

Fiz a OBMEP pela primeira vez sem expectativa nenhuma. Entrei na sala com aquela sensação de “isso aqui é prova para os melhores do Brasil, o que eu tô fazendo aqui?”. Fiz a prova, achei que tinha ido mal, mas saiu o resultado: medalha de bronze.

Só que foi um bronze sofrido — eu fiquei quase na última colocação. Se tivesse errado mais uma questão, não teria levado nada.

Mas esse bronze acendeu uma coisa na minha cabeça: peraí, se eu consegui bronze sem nem acreditar que era possível, o que acontece se eu realmente estudar?

No ano seguinte, fui com outra postura. Estudei mais, acreditei mais. Resultado: medalha de prata.

E um ano depois, em 2011, veio a medalha de ouro.

Foram três anos entre o bronze e o ouro. Três anos que me ensinaram mais sobre estudar, sobre persistência e sobre mim mesmo do que qualquer outra experiência na escola.


As 4 Mudanças Que Me Levaram ao Ouro

Quando olho para trás, consigo identificar exatamente o que mudou em cada etapa. Não foi uma virada mágica — foram quatro ajustes de mentalidade e método.

1. Acreditar em si mesmo

Parece clichê, mas foi a virada mais importante.

Na primeira prova, eu entrei derrotado. Pensava: “Sou um menino do interior do Rio Grande do Norte, o que eu vou fazer numa prova nacional?” E o resultado veio exatamente do tamanho da minha crença: um bronze no limite.

Depois do bronze, a chave virou. Eu pensei: se eu, desacreditado, consegui bronze, então é possível. Existe um caminho. Eu só preciso continuar.

Você não pode entrar numa batalha como se já tivesse perdido. Se você começa a prova achando que não vai conseguir, seu cérebro vai confirmar essa profecia. Entre com sangue no olho. Mesmo que você esteja fraco hoje, você pode estudar e melhorar. O seu “eu” de amanhã pode ser muito melhor do que o medalhista de ouro de hoje.

A partir do momento em que eu coloquei na cabeça “eu vou conseguir o ouro”, estudar deixou de ser obrigação e virou construção. Cada hora de estudo era um tijolo a mais. E tijolo por tijolo, a medalha foi ficando mais próxima.

2. Ter paciência

A segunda grande armadilha que eu vi muita gente cair — e eu mesmo quase caí — é a pressa. O aluno quer o ouro na primeira tentativa. Quando não vem, desiste.

Eu ganhei cinco medalhas de ouro ao longo da minha trajetória, mas a primeira demorou três anos. Três anos estudando, revisando, fazendo questão, quebrando a cabeça. Não foi do dia para a noite. Foi tijolo por tijolo, dia após dia.

A pergunta que eu me fazia toda semana era: o que eu tô fazendo hoje para chegar ao resultado no final do ano? Porque é isso: são as pequenas coisas diárias que constroem a medalha. Uma questão a mais hoje. Uma hora de estudo que você teve preguiça de fazer mas fez mesmo assim. Isso acumula.

Cinco medalhas de ouro não vieram de um talento extraordinário. Vieram de três anos de trabalho consistente antes da primeira, e mais anos de continuidade depois. Se você está começando agora e se sente longe, isso não é sinal de que você não vai conseguir — é só o começo da curva.

3. Desenvolver criatividade e raciocínio lógico

Essa foi a mudança mais prática e a que mais transformou meus resultados.

Na escola, a gente se acostuma a ser repetidor. O professor explica a fórmula, você aplica em 15 minutos e pronto. Na OBMEP, isso não funciona. As questões não são feitas para você aplicar uma fórmula decorada — elas são feitas para você pensar.

Quando eu comecei a pegar questões de olimpíada, percebi que passava horas num único problema. Horas. E isso era normal. Era assim que eu desenvolvia o raciocínio.

Meu pai me ensinou algo que carrego até hoje: pouco tempo de teoria, muito tempo de prática. Não adianta assistir 20 videoaulas e achar que aprendeu. O aprendizado real acontece quando você senta sozinho, com uma questão na frente, e quebra a cabeça até resolver.

Estude a teoria — rápido

Veja a aula, leia o resumo, entenda o conceito. Mas não passe horas nisso. O objetivo é ter a ideia-base para começar a praticar.

Vá para as questões imediatamente

Pegue questões do assunto e tente resolver. Você vai travar. É exatamente esse o ponto: a trava é onde o aprendizado começa.

Passe tempo de qualidade em cada problema

Não pule para a solução na primeira dificuldade. Pense, rabisque, teste caminhos diferentes. Uma única questão pode te ensinar mais do que 10 aulas.

Só depois olhe a resolução

Quando você já quebrou a cabeça por tempo suficiente, aí sim estude a solução. Você vai entender cada passo com muito mais profundidade porque já tentou sozinho.

Esse músculo do raciocínio lógico se desenvolve como qualquer outro — com exercício repetido. A cada questão difícil que você resolve, fica mais fácil resolver a próxima.

4. Cercar-se de gente melhor que você

Depois da medalha de bronze, entrei no PIC (Programa de Iniciação Científica da OBMEP). Era uma turma só de medalhistas — alunos que tinham ouro, prata, bronze. Tinha gente com três, quatro medalhas de ouro.

Na minha escola, me chamavam de gênio. No PIC, eu era só mais um. Aliás, eu era um dos mais fracos da turma.

E foi exatamente isso que me fez crescer.

Quando você está numa sala onde todo mundo é melhor que você, duas coisas acontecem: você para de se acomodar e começa a aprender com quem está na frente. Eu via como aqueles caras estudavam, o quanto se dedicavam, e pensava: “se eles fazem tudo isso e ainda estudam mais do que eu, eu não posso parar.”

“Se você é o mais inteligente da mesa, você está na mesa errada.” Essa frase define tudo. Procure estar perto de gente que te puxa para cima. Se todo mundo ao seu redor está satisfeito com nota 7 e você também, você nunca vai chegar na nota 10.

Se você não tem acesso a um programa como o PIC, ainda pode aplicar essa ideia: entre em grupos de estudo online, participe de comunidades de olimpíadas, siga canais de medalhistas. O importante é ter referências que te mostrem que o ouro é possível — e que tem gente no mesmo caminho que você.


Como Eu Estudava na Prática

Muita gente me pergunta: “Lucas, quantas questões você fazia por dia? Qual era seu método?”

A resposta curta: mais questões do que teoria, todos os dias, por muito tempo.

Mas deixa eu detalhar como isso funcionava.

Menos aula, mais mão na massa

Eu passei a dedicar no máximo 20% do meu tempo de estudo vendo teoria, videoaulas ou lendo resumos. Os outros 80% eram resolvendo questões. Por quê? Porque a aula coloca a ideia na sua cabeça — mas quem ensina de verdade é o estudo depois da aula, quando você está sozinho tentando aplicar.

Uma questão por horas

Na escola, a gente resolve 10 exercícios em 15 minutos. Na OBMEP, às vezes eu passava uma tarde inteira numa única questão. E tá tudo bem. O objetivo não é quantidade — é profundidade. Cada hora quebrando a cabeça em cima de um problema difícil desenvolve mais raciocínio do que 50 exercícios fáceis.

Revisão constante dos erros

As questões que eu errava eram as mais valiosas. Eu não corrigia e seguia em frente — eu estudava o erro. Por que errei? Foi falta de conteúdo ou falha de raciocínio? O que a solução fez que eu não pensei em fazer? Essa disciplina de revisar erros me deu um repertório de abordagens que depois virava automático na prova.

Os temas que eu priorizei

Quando comecei a levar a sério, usei a mesma lógica que a gente ensina até hoje: foque nos temas que mais caem. Para o Nível 3 (meu caso), as prioridades eram operações básicas, equações do 1º grau, circunferências, probabilidade e raciocínio lógico. A distribuição completa por nível está em Questões Mais Cobradas na OBMEP por Tema.


O Dia da Prova da Segunda Fase

A segunda fase é onde as medalhas são decididas. É uma prova discursiva — você não marca alternativa, você desenvolve a solução inteira. E isso muda tudo.

No dia da minha prova do ouro, eu estava nervoso, claro. Mas tinha algo diferente: eu sabia que estava preparado. Não era arrogância — era o resultado de três anos de trabalho consistente. Eu olhei para aquela prova e pensei: “eu já resolvi centenas de questões mais difíceis do que essas.”

Algumas coisas que fiz naquele dia e que recomendo:

  • Durma bem na noite anterior. Estudar até tarde na véspera é sabotagem. Seu cérebro precisa estar descansado.
  • Leve água e um lanche. Três horas de prova cansam. Seu cérebro consome glicose — não lute contra a biologia.
  • Leia todas as questões antes de começar a resolver. Isso te dá um mapa mental da prova e evita que você empate numa questão difícil enquanto as fáceis ficam para o final.
  • Na prova discursiva, escreva todo o raciocínio. Não basta a resposta certa — os corretores avaliam o desenvolvimento. Mesmo que você erre a conta final, um raciocínio bem estruturado garante pontos parciais.
A segunda fase não é só sobre acertar — é sobre mostrar como você pensa. Escreva cada passo. Se você fez uma suposição, explique. Se você usou um teorema, nomeie. Os corretores não adivinham o que está na sua cabeça.

O Que Eu Faria Diferente

Olhando para trás, três coisas que eu faria diferente se pudesse recomeçar hoje:

Começar antes. Eu só levei a OBMEP a sério depois do primeiro bronze. Se tivesse começado a me preparar um ano antes, minha curva teria sido mais curta. O melhor dia para começar a estudar foi ontem; o segundo melhor é hoje.

Fazer mais simulados nas condições reais de prova. Eu estudava resolvendo questões avulsas, mas subestimei o valor de fazer uma prova completa, cronometrada, sem pausas. O cansaço mental de três horas de prova é real e precisa ser treinado. Se você quer saber como estruturar isso, leia Como Passar na Primeira Fase da OBMEP 2026.

Pedir ajuda mais cedo. No começo eu tentava resolver tudo sozinho e ficava empacado. Quando comecei a discutir questões com colegas do PIC, meu aprendizado acelerou. Discutir uma solução com outra pessoa revela caminhos que você nunca encontraria sozinho.


Conselhos Práticos Para Quem Quer o Ouro

O que funciona

  1. Acredite que é possível. Se você entrar derrotado, já perdeu. Coloque na cabeça: “eu consigo” e aja de acordo.
  2. Seja paciente. O ouro não vem na primeira tentativa para quase ninguém. A pergunta certa não é “quando eu vou ganhar?”, é “o que eu fiz hoje para chegar mais perto?”
  3. Pratique mais do que estuda teoria. Pelo menos 80% do seu tempo deve ser resolvendo questões, de preferência difíceis.
  4. Cerque-se de gente que te puxa para cima. Se você é o melhor do seu grupo de estudo, mude de grupo.
  5. Simule as condições reais de prova. Faça provas completas, cronometradas, sem consulta. O nervosismo e o cansaço do dia da prova precisam ser familiares.
  6. Estude seus erros mais do que seus acertos. Cada erro é uma oportunidade de aprender um padrão novo de raciocínio.

O que evitar

  1. Ficar só na teoria. Assistir 50 aulas e nunca sentar para resolver questão difícil é a ilusão de preparação mais comum.
  2. Comparar sua página 1 com a página 100 dos outros. Quando eu entrei no PIC e vi gente com 4 ouros, quase desanimei. Depois entendi que cada um tem seu momento. Compare-se com quem você era ontem.
  3. Estudar tudo aleatoriamente. Use os dados de temas mais cobrados (tabela completa em Questões Mais Cobradas na OBMEP) para priorizar. O tempo é finito — invista onde o retorno estatístico é maior.
  4. Estudar até tarde na véspera. Seu cérebro consolida o aprendizado durante o sono. Virar a noite antes da prova é autossabotagem.

Conclusão

Ganhar medalha de ouro na OBMEP não exige ser gênio. Exige três coisas: acreditar que é possível, ter paciência para o processo, e estudar do jeito certo — mais questões do que teoria, mais profundidade do que quantidade.

Foram três anos entre o bronze e o ouro. Três anos de consistência diária, de quebrar a cabeça em questões difíceis, de aprender com quem estava na minha frente. Se eu consegui saindo de um bronze no limite, você também consegue.

O primeiro passo é sentar hoje e resolver uma questão difícil. Só uma. E amanhã mais uma. Tijolo por tijolo.

Se você está se preparando para a primeira fase, leia o guia completo de estratégia. Para entender a distribuição de temas e otimizar seu estudo, veja Questões Mais Cobradas na OBMEP por Tema. E se ainda tem dúvida se vale o esforço, Vale a Pena Fazer OBMEP em 2026? tira todas elas.