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Como Justificar as Questões da 2ª Fase da OBMEP: Guia Prático

Como Justificar as Questões da 2ª Fase da OBMEP: Guia Prático

A 2ª fase da OBMEP é discursiva. Isso significa que marcar a alternativa certa não existe — você precisa escrever o raciocínio completo. Para muitos candidatos, essa é a maior barreira: saber resolver a questão mas não conseguir transformar o raciocínio em texto que convença o corretor.

A boa notícia é que justificar questões da OBMEP é uma habilidade — e habilidades se desenvolvem com prática deliberada. Este guia mostra o que os corretores esperam, como estruturar uma boa justificativa, o que evitar e como extrair pontos parciais mesmo quando você não chegou à resposta final.


Por Que a Justificativa Vale Mais Do Que Você Pensa

Na 2ª fase, cada questão vale 20 pontos divididos em itens (tipicamente a=4, b=6, c=10). Os corretores não avaliam apenas se a resposta está certa — avaliam se o raciocínio está correto e bem comunicado.

Isso cria duas situações que muitos candidatos ignoram:

  1. Resposta certa, justificativa ruim → pontuação parcial. Se você chegou ao resultado correto por um caminho que não está claro no papel, o corretor não pode validar seu raciocínio. Você pode perder parte dos pontos mesmo tendo acertado.

  2. Resposta errada, raciocínio correto → pontuação parcial. Se você montou o caminho certo mas cometeu um erro de cálculo no final, o corretor vê onde o erro aconteceu e atribui crédito parcial pela parte correta do desenvolvimento.

Regra de ouro: O corretor corrige o que está escrito, não o que você pensou. Tudo que não está no papel não existe para a correção.

A Estrutura de uma Boa Justificativa

Uma justificativa eficiente tem três partes, mesmo que você não as rotule explicitamente:

1. Hipóteses e notação

Antes de começar a desenvolver, deixe claro o que você está considerando. Defina variáveis se necessário, declare condições relevantes e aponte qual abordagem você vai usar.

Exemplos:

  • “Sejam a e b inteiros com a > b > 0.”
  • “Vamos provar por contradição. Suponha que…”
  • “Usaremos indução em n. Caso base: n = 1.”

Esse passo toma 1 ou 2 linhas mas sinaliza ao corretor que você sabe o que está fazendo.

2. Desenvolvimento

Este é o núcleo da justificativa — mostre cada passo do raciocínio. Não pule etapas “óbvias”. O que parece óbvio para você pode ser exatamente o ponto que o corretor precisa ver.

Escreva cada passo como uma consequência explícita do anterior:

  • “Como n é par, existe um inteiro k tal que n = 2k.”
  • “Substituindo na expressão anterior…”
  • “Portanto, a soma é divisível por 3, pois…”

Conecte os passos com palavras de transição: portanto, logo, como, então, daí, segue que. Isso demonstra que o raciocínio é fluído e não uma sequência de afirmações soltas.

3. Conclusão

Feche explicitamente. Reafirme o resultado que foi pedido, conectando à questão original. Não deixe a justificativa “no ar”.

Exemplos:

  • “Portanto, o número de formas é 120.”
  • “Logo, não existe inteiro n satisfazendo a condição, como queríamos demonstrar.”
  • “Assim, a área do triângulo é sempre o dobro da área do quadrado, para qualquer valor de l.”

O Que Evitar

❌ Jogar números na folha sem explicação

Escrever “9 × 8 × 7 = 504” sem explicar por que você está multiplicando esses números não rende pontos cheios. O corretor precisa ver o raciocínio, não só a operação.

❌ Pular etapas por achar que são óbvias

“É claro que…” e “obviamente…” são sinais de alerta. Se você está usando essas expressões, provavelmente está pulando uma justificativa que precisa ser explicitada.

❌ Escrever só a resposta final

“A resposta é 42.” Isso não vale nada na 2ª fase. A resposta sem desenvolvimento recebe zero pontos, independentemente de estar correta.

❌ Usar linguagem vaga

“Fazendo as contas…” ou “após calcular…” não substituem os cálculos em si. Mostre o processo, não só anuncia que ele existiu.


Como Começar Uma Justificativa (Especialmente Quando Você Está Travado)

A maior dificuldade de muitos candidatos não é desenvolver a solução — é começar a escrever. Algumas estratégias:

Comece pelo que você sabe. Mesmo sem saber onde vai chegar, escreva as hipóteses, defina variáveis e declare a abordagem. Isso já ocupa a folha com raciocínio válido e frequentemente desbloqueia o pensamento.

Resolva no rascunho primeiro. Use o rascunho para calcular, testar casos e descobrir o caminho. Só passe a limpo quando souber como a solução se conecta. Uma justificativa bem escrita de uma solução parcial vale mais do que uma justificativa confusa de uma solução completa.

Em provas, escreva como se estivesse explicando para alguém que não viu o enunciado. Esse exercício mental força você a ser explícito em cada passo.

Não tente escrever uma justificativa perfeita na primeira passagem. Na 2ª fase, o tempo é limitado a 3 horas para 6 questões (30 min por questão em média). Reserve os últimos 5 minutos de cada questão para revisar e complementar a justificativa, não para começar do zero.

Linguagem Matemática: Palavras Que Ajudam

O vocabulário correto não é exigido por formalidade — ele ajuda o corretor a seguir seu raciocínio rapidamente. Use estas expressões:

Para implicações e conclusões:

  • “Portanto”, “logo”, “então”, “daí”, “segue que”, “concluímos que”

Para hipóteses e definições:

  • “Seja”, “suponha que”, “considere”, “defina”, “como”, “dado que”

Para enumeração de casos:

  • “Caso 1:”, “Caso 2:”, “Em ambos os casos…”, “Em qualquer caso…”

Para técnicas específicas:

  • “Por contradição, suponha que P é falso…”
  • “Provaremos por indução em n…”
  • “Pela análise dos casos, temos…”
  • “Pelo Princípio da Casa dos Pombos…”

Estratégia de Pontuação Parcial

Em uma questão de 20 pontos que você não consegue resolver completamente:

  1. Resolva o item a) completamente (4 pontos garantidos)
  2. Tente o item b) mesmo que parcialmente (até 6 pontos, com crédito parcial)
  3. No item c), escreva a abordagem — defina variáveis, aponte a estratégia, indique o passo inicial mesmo sem desenvolver tudo (1–3 pontos possíveis)

Isso pode render 8–12 pontos numa questão “impossível” — pontos que muitos candidatos jogam fora por deixar a folha em branco.

Teste isso na prática: Pegue provas antigas da OBMEP e, em vez de resolver, escreva apenas a justificativa do que você entende de cada item. Peça a um professor ou colega para “corrigir” com base nos critérios: raciocínio claro, passos justificados, conclusão explícita. Esse exercício melhora a escrita matemática mais rápido do que qualquer outra prática.

Conclusão

Justificar bem uma questão da OBMEP não é uma habilidade separada de resolvê-la — é parte do processo. Candidatos que treinam a escrita matemática junto com a resolução têm vantagem dupla: o ato de escrever em passos ajuda a identificar erros de raciocínio antes de cometer, e garante pontos parciais mesmo nas questões mais difíceis.

Pontos-chave para levar para a prova:

  • Declare hipóteses antes de desenvolver
  • Mostre cada passo como consequência do anterior
  • Use palavras de transição para conectar o raciocínio
  • Conclua explicitamente com o resultado pedido
  • Nunca deixe uma questão em branco — sempre escreva ao menos a abordagem

Fonte: Como justificar as questões da 2° fase OBMEP — LIVE 1 de 2 — Canal Só o mi (@soomi_hokage)